16 julho 2008

Garanto que nunca ninguém levou tanto tempo para terminar um kit

Quando me mudei para Curitiba, em julho de 2004, deixei inacabados alguns kits. Um deles já estava bem encaminhado: um Fokker D.VII da Roden, com fuselagem pintada, decais no lugar, asa superior já unida ao conjunto, faltando só as estruturas do meio e o trem de pouso. Então, quando eu resolvi que ia voltar ao modelismo, durante minhas últimas férias, em maio desse ano, nada melhor que finalizar o kit que já estava quase pronto.

O Fokker D.VII fez tanto sucesso com os responsáveis pela força aérea do Kaiser que apenas a fábrica da Fokker não daria conta de todas as encomendas. Então recorreu-se à Albatros e à Ostdeutsche Albatros Werke (OAW), uma subsidiária da Albatros. Isso resultou em uma grande variedade de modelos de Fokker D.VII, identificáveis principalmente pelos painéis laterais da parte da frente da fuselagem.

A Roden lançou uma linha com praticamente todas as versões de D.VII produzidas durante a guerra. Felizmente os ucranianos não resolveram fazer com os D.VII a burrada que tinham feito com os Pfalz D.III e D.IIIa. Eles passaram a injetar duas grades com todas as peças que havia em comum com todos os modelos de D.VII, e outras grades menores, com a fuselagem toda em duas metades, como deve ser.

O kit que montei foi um Fokker D.VII das séries iniciais de produção da OAW. Entre as opções de pintura estava a do Ltn. Hans Besser, do Jasta 12. Como vocês devem ter lido lá embaixo, eu resolvi montar vários aviões do Jagdgeschwader II, conhecido pelas fuselagens azuis, com a frente em cor que variava de acordo com o esquadrão (branco para o Jasta 12, verde para o Jasta 13, vermelho para o Jasta 15 e amarelo para o Jasta 19), então o Besser calhava bem.

Digamos que o kit da Roden não é ruim, muito pelo contrário. Mas tem um ou outro problema. Eu, por exemplo, tive de cortar parte da raiz das asas inferiores, dos dois lados. A peça simplesmente não encaixava na fuselagem, tinha plástico demais.

Mas eu agora posso afirmar com convicção que detesto asas inteiramente em lozenge. Os decais da Roden são bons, mas cobrir com decal uma área enorme é muito estressante. Nas pontas das asas o decal quebrou várias vezes. Haja Micro-Set, Micro-Sol e Future pra deixar tudo no lugar (inclusive as fitas azuis).

E, falando em decal, um dos maiores sufocos que já passei como modelista ocorreu com esse kit. Imagine o decal de vassoura (agora não lembro se do lado direito ou esquerdo) se quebrando em uns oito ou nove pedacinhos... imagine o meu trabalho de "pescar" cada um deles do pires com água e colocando tudo em cima do kit, encaixando os pedaços para conseguir uma linha branca contínua... mas foi uma história com final feliz.

Ah, sim, sobre o Hans Besser, bem, não achei na Internet nenhuma informação sobre ele. Não sei quantos aviões abateu, se sobreviveu à guerra, nada. Talvez quando eu comprar o livro da Osprey sobre o JG II eu descubra algo. Mas parece que besser é vassoura em alemão, daí a insígnia pessoal do piloto.

Vejam, então, as fotos desse kit que começou a ser montado em 2004 e só foi terminado em 2008. O estaiamento é com fio metálico Ethicon .004". O único acréscimo que fiz foram os cintos de segurança em photo-etch da Tom's Modelworks. Esse kit ganhou uma medalha de bronze no Open do GPC, em 2008.





3 comentários:

dfernetti disse...

Hermoso modelo, marcio! Bien valió la pena la espera. Pero no digas que a nadie le lleva más tiempo terminar un modelo, yo tengo algunos kits en proceso desde mucho antes...

Anônimo disse...

Segundo o livro da Osprey sobre o JG Nr. II:

Ltn d R Hans Besser, Jasta 12, Chéry-les-Pouilly, August 1918.

No Above the Lines ele não aparece listado como tendo sido ás.

Lindo kit!

:-)

Anônimo disse...

Achei alguma coisa:

Although Besser claimed 2 victories, he was just credited with 1. His association with Jasta 12 wasn’t for very long as he only joined in August 1918. The broom marking is a play on words regarding his name and stood out well against the JG II blue fuselage.

Abs
Franklin